Parque Nacional Marinho dos Abrolhos

Com uma área de mais de 90 mil hectares, esta unidade de conservação no extremo sul do litoral da Bahia tem como limites cinco ilhas. Abrolhos abrange o Recife de Timbebas, o Parcel dos Abrolhos e o Arquipélago dos Abrolhos – composto pelas ilhas Redonda, Siriba, Sueste, Guarita e Santa Bárbara (esta sob jurisdição da Marinha).

O Parque pode ser visitado durante o ano todo. No período do verão, as suas águas são mais quentes e oferecem maior visibilidade para os mergulhadores.

É fundamental verificar as condições climáticas antes de navegar até as ilhas.

A cidade mais próxima com infraestrutura para turistas e porto de embarque é Caravelas. A região onde fica a sede administrativa e o Centro de Visitantes, na Praia do Kitongo, em Caravelas, abriga também um importante conjunto de Unidades de Conservação, como as Reservas Extrativistas do Cassurubá e de Corumbau, que possibilitam a utilização sustentável dos recursos naturais por comunidades costeiras, protegendo estuários, restingas, mangues e ambientes marinhos.

O valor do ingresso individual é R$ 27 por pessoa, por dia. O ingresso para estrangeiros é de R$ 54 por visitante.

Menores de 12 anos de idade e maiores a partir de 60 anos são isentos de taxas.

O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

Como objetivos específicos desta Unidade de Conservação, estão o de preservar amostras de ecossistema marinho rico em recifes, algas e ictiofauna e o de proteger espécies ameaçadas de extinção, principalmente as tartarugas marinhas, baleias Jubarte e coral cérebro, conciliando a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais com a utilização para propósitos educacionais, recreativos e científicos.

A área é tida como um refúgio do pleistoceno relativo às espécies de corais. Dessa forma, a UC também tem como objetivo manter o banco genético, importante para o povoamento natural das áreas de pesca vizinhas e para a proteção dos sítios históricos e arqueológicos.

O arquipélago de Abrolhos foi visitado pelo naturalista inglês Charles Darwin em 1832. Ele descreveu a região na obra “Aventuras e Descobertas de Darwin a bordo do Beagle”.

Na década de 1970 e início dos anos 80, um grupo de pesquisadores, mergulhadores e ambientalistas se reuniu para reivindicar a criação do Parque Nacional. A unidade era anteriormente uma área de pesca onde havia um antigo farol da Marinha, mas ocorria grande número de naufrágios devido às dificuldades de navegação entre os corais existentes no arquipélago.

Antigas referências reportadas por historiadores relatam que navegantes portugueses recebiam a advertência “Abram os Olhos” pelo perigo de se navegar por aquelas águas e, assim, surgiu o nome “Abrolhos”. O arquipélago sempre foi ponto de referência e atenção para os navegantes.

Desde 2003, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é um Posto Avançado da Reserva de Biosfera da Mata Atlântica que atua como um centro de divulgação e informação de ideias, conceitos, programas e projetos desenvolvidos na Reserva.

Para que uma área seja reconhecida como Posto Avançado é necessário que seus responsáveis desenvolvam pelo menos duas das três funções básicas da Reserva: conservação da biodiversidade, promoção do desenvolvimento sustentável em suas áreas de abrangência e pesquisa científica, educação e monitoramento permanente.

Abrolhos foi a primeira UC marinha a ser criada no Brasil e tem a finalidade de proteger a região que registra a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

Em fevereiro de 2010, o Parque Nacional recebeu o diploma de sítio Ramsar, conferido pela Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, como resultado de um esforço conjunto do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e da ONG Conservação Internacional, que encabeçaram o processo de candidatura da unidade de conservação.

A Convenção de Ramsar é um tratado firmado por governos de diversos países que estabelece uma ação nacional e uma cooperação internacional para a conservação e uso racional das zonas úmidas mundiais e de seus recursos naturais. Ocupando todas as regiões geográficas do planeta, atualmente a convenção é o único tratado ambiental global que trata de um ecossistema em particular, as zonas úmidas. O Parque de Abrolhos é o 11º sítio Ramsar brasileiro e o primeiro na Bahia.

O Parque possui dois polígonos: um que protege o arco de recifes costeiros e está localizado em frente ao município de Alcobaça, abrangendo o Recife de Timbebas, e outro a cerca de 70 quilômetros da costa, englobando o Parcel dos Abrolhos e o Arquipélago dos Abrolhos, composto pelas ilhas Redonda, Siriba, Sueste, Guarita e Santa Bárbara – esta última excluída dos limites do parque e sob jurisdição da Marinha do Brasil.

A unidade assegura a procriação das espécies, contribuindo para a manutenção da pesca nas regiões vizinhas e sendo o meio de subsistência para cerca de 20 mil pessoas na região. Segundo o ICMBio, dados de monitoramento pesqueiro mostram que a pesca nas regiões vizinhas ao Parque movimenta mais de R$ 100 milhões por ano, o que representa 10% da receita da atividade no Brasil.

A visita ao Parque Nacional de Abrolhos inclui mergulho, observação de aves, caminhadas monitoradas na ilha de Siriba. Entre julho e novembro, é possível avistar as baleias Jubarte.

É apenas permitido o desembarque de visitantes em uma das ilhas, a Siriba. Ao desembarcar, os turistas percorrem uma trilha de 1.600 metros que circunda a ilha. Centenas de pequenas conchas e corais se acumulam na ponta sudoeste da ilha, formando uma espécie de praia. A outra extremidade é formada por piscinas naturais que abrigam peixes coloridos e outros organismos marinhos.

O mergulho livre é realizado em profundidades de até 5 metros, permitindo visualizar peixes multicoloridos, corais, algas e tartarugas marinhas. Já o mergulho autônomo permite que o visitante veja naufrágios, cavernas, noturno e em chapeirões. O mergulho no Parque somente pode ser realizado em locais pré-estabelecidos e acompanhado de um condutor subaquático treinado.

Entre os meses de julho e novembro, é a temporada das baleias Jubartes (Megaptera novaeangliae), que aproveitam as águas quentes, tranquilas e pouco profundas para procriar. A profundidade máxima da água é de 30 metros e, no verão, a água é transparente e as temperaturas médias anuais giram em torno dos 26° C.

Além de abrigar uma grande porção do maior banco de corais e biodiversidade marinha do Atlântico Sul, o parque protege áreas-berçário para as baleias Jubarte.

Esta é a única região do planeta onde é possível encontrar o coral Mussismilia braziliensis, conhecido como “coral-cérebro” por seu aspecto peculiar. Lá estão também preservadas espécies de tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção – como as tartarugas de couro, cabeçuda, verde e de pente. Refugiam-se ainda no Parque aves como a grazina e os atobás.

Um levantamento da biodiversidade da região registrou aproximadamente 1.300 espécies, 45 delas consideradas ameaçadas, segundo listas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais – www.iucn.org) e do Ministério do Meio Ambiente.

O Parcel dos Abrolhos é onde podem ser vistas as formações coralíneas típicas da região, os chamados chapeirões – grandes estruturas de coral em forma de cogumelo com alturas entre cinco e 25 metros e diâmetros de cinco a 50 metros. O Recife de Timbebas preserva uma amostra significativa do arco costeiro de recifes e está localizado em frente ao município de Alcobaça.

Os ecossistemas integrantes do Complexo dos Abrolhos são a restinga e o mangue.

De janeiro a março, a temperatura varia de 24,4°C a 27°C. O parque é constituído de três ilhas de formação vulcânica dispostas em semicírculos e uma ilhota ao norte. A ilha de Guarita tem 100 metros de extensão e 13 metros de altura; a ilha de Siriba possui 3 hectares; já a ilha Redonda apresenta 400 metros de diâmetro e 36 metros de altura; e a ilhota Sueste tem 10 hectares e 15 metros de altura.

O ambiente insular é dominado por vegetação de pequeno porte, basicamente por gramíneas e herbáceas, com ocorrência de algumas espécies exóticas. São encontrados alguns coqueiros nas ilhas, introduzidos por antigos moradores.

A fauna marinha apresenta grande diversidade, com inúmeras espécies de peixes, moluscos, corais e esponjas. Na fauna terrestre, destacam-se as aves que se reproduzem nas ilhas, como atobás, trinta-réis, fragata, grazina e o benedito.

O excesso de turistas e mergulhadores tem causado destruição aos corais e modificado as características da água. A navegação constante também traz poluição e risco de acidentes. Além disso, muitos pescadores buscam a região para exercer suas atividades sem controle.

(fontes: www.wikiparques.org e www.icmbio.gov.br/parnaabrolhos)